domingo, 8 de janeiro de 2012

Eu e o meu coração não somos mais um




Eu não sei se eu vou conseguir escrever um texto coerente...
Eu ando assustada. Aliás, quando é que eu não andei assustada, né? A vida cobra da gente a todo segundo CORAGEM. É do menor ao maior detalhe. E é como matemática, se você falha ou não aprende numa pequena coisa, esse erro vem puxando todo o resto. Se derrubar uma peça de dominó, todos caem.
Eu estou assustada sobre o quanto eu mudei nos ultimos 3 meses. Nunca tive uma mudança tão grande em tão pouco tempo. As pessoas ao meu redor também percebem uma mudança de comportamento enorme. A maioria diz que estou mais pacifica, enquanto eu mesma acho que estou mais impaciente do que nunca.
Antes eu me entendia tão bem. Mesmo nos maiores conflitos eu sabia explicar a mim mesma o porque de tudo. Eu sabia justificar cada sentimento, cada emoção, cada ação minha. Até o que vinha do inconsciênte não era obscuro. Eu olhava pra mim e era o mesmo que ver um rio de águas cristalinas onde se podia enxergar qualquer canto.
Acho que esta visão tão clara, essa compreensão tão grande de mim mesma me fez me tornar minha melhor amiga durante toda a vida. Tão suficiente, que raras vezes me sentia incompleta de amizade. Jesus e eu eramos o suficiente em 99,8% dos momentos.
Era de me conhecer tão bem que eu consegui a proeza de passar por coisas inimaginaveis completamente sozinha de pessoas. O espaço dentro de mim era grande, e eu podia reter com folga tudo só pra mim.
Graças a Deus, e a educação que tive dos meus pais, e a essa compreensão imensurável de mim mesma é o que me impulsionou toda a vida a ser tão guerreira, a não saber o que é um obstaculo impossivel de ser quebrado. Este amor próprio que tanta gente nunca enxergou é o que me fez acreditar em cada sonho, por maior que fosse, e lutar, independentemente de opiniões, por tudo que eu sempre quis.
Foi de ter um poder interno tão grande, foi que eu achei que poderia mover montanhas no exterior. Foi da convicção que eu não pude aceitar uma série de lições que a vida me deu, e eu tapei os olhos e os ouvidos pra não aprender.
As vezes quando eu olho pra minha vida, ela não parece ser real, parece ser uma novela mexicana, ou um filme de drama-suspense. As vezes eu sinto como se tudo o que aconteceu tivesse sido um dos meus sonhos estranhos, e eu estivesse acordado agora. As vezes me sinto como duas pessoas, como se minha vida não fosse minha vida.
As vezes eu olho pra trás e vejo que na verdade foram uma série de vitórias. A maioria das coisas que vivi, outras pessoas não sairam imunes. Talvez eu também não tenha saido totalmente imune...
As vezes eu olho e vejo minha vida como um vale de ossos secos...
Antes se me perguntassem se eu me arrependia de algo na vida, eu diria com todo o meu coração que NÃO. Que tudo o que aconteceu havia sido necessário, e que tinha a consciencia limpa por não ter feito coisas erradas conscientemente. Que os erros foram todos tentando acertar.
Se me perguntarem isto hoje, eu não sei o que dizer. E se eu me perguntar o que é que eu sinto, eu também não saberei o que dizer, nem o que pensar, porque eu não sei. Eu nunca fui de dizer as minhas coisas, mas as raras vezes que eu fiz isso, em TODAS foi uma péssima idéia, e todas as minhas coisas foram rejeitadas. Acho que a unica rejeição ainda não superada deve ser a dos pais.
Eu estou fazendo tanta coisa ultimamente na minha vida que ninguém sabe, ninguém. E se me perguntar o que eu estou fazendo, eu não vou saber responder, porque eu não sei o que estou fazendo.
Eu estou lutando por todos os planos. Do A ao Z. E depois do Z tem o Ç só pra garantir.
Me apertaram tanto, me reprimiram tanto, não me deixaram falar, não me deixaram expressar.
Eu passei a minha vida toda sendo um vulcão. Silenciosa, quente, que ninguém poderia saber quando entraria em erupção. Então eles construiam casas perto de mim. E algumas vezes quando eu entrava em erupção, destruia tudo, queimava minhas estruturas, e destruia todo mundo ao redor.
Me proibiram tanto de sentir, de respirar, que eu tive que voltar a me expressar só para mim mesma de novo. E ai eu não consegui, eu não conseguia me ouvir. Então eu me calei por dentro também.
Hoje a tarde o meu coração doeu tanto, ele gritava. Mas eu não consegui entender, não consegui ouvir, não consegui decifra-lo, eu só senti.
Não consigo mais ver o rio de águas cristalinas, porque meus olhos estão vendados. E me sinto de mãos atadas quanto a isso. Pela primeira vez na minha vida, eu não sei exatamente por onde seguir.
Eu e o meu coração não somos mais um.Visualizar

A RAZÃO NOS COLOCA NO CAMINHO CERTO. MAS O CORAÇÃO É QUE APERTA O ACELERADOR, OU O FREIO.

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